sexta-feira, 18 de setembro de 2009

‘No teu deserto’ por Miguel Sousa Tavares

Foi este excerto, escrito na contra-capa, que me fez comprar o livro:
‘Ali estavas tu, então, tão nova que parecias irreal, tão feliz que era quase impossível de imaginar. Ali estavas tu, exactamente como te tinha conhecido. E o que era extraordinário é que, olhando-te, dei-me conta que não tinhas mudado nada, nestes vinte anos: como nunca mais te vi, ficaste assim para sempre, com aquela idade, com aquela felicidade, suspensa, eterna desde o instante em que apontei a minha Nikon e tu ficaste exposta, sem defesa, sem segredos, sem dissimulação alguma.’

Curtinho, mas muito bom!
Foi o meu companheiro de viagem, principalmente na última!

Aqui alguns dos excertos/ pequenas frases que me despertaram o interesse!
‘Aprendi que é preciso dar tempo aos outros para olharem.’
(pág. 50)

‘Tudo, tudo, parecia ao teu alcance. Uma vida toda à tua espera, o mundo a teus pés, se o quisesses. Ou um deserto.’
(pág. 54)

‘É exactamente o oposto. Escrever é usar as palavras que se guardaram: Se tu falares de mais, já não escreves, porque não te resta nada para dizer.’
(pág. 100)

‘Quando tudo era bonito de mais ou duro de mais, tu ficavas calada a olhar silenciosamente. Falámos sobre isso uma vez, e eu disse-te que a vida me tinha ensinado que fácil era o ruído, as conversas sem sentido, a banalidade das palavras ditas sem necessidade alguma.’
(pág. 115)

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